Terça-feira, 15 de Maio de 2012


Mais Cadeias? E depois??
They won't build no schools anymore
All they build will be prisons, prisons!

Lyrics by Luck Dube

Eu sou contra a prisão e a favor da liberdade. Aliás, em tempos defendi publicamente uma comprovada falência do sistema penitenciário actualmente vigente no mundo, por ser desumano, degradante, incapaz de ressocializar o cidadão, multiplicador de delinquentes e ainda por cima bastante oneroso ao Estado.
Acredito que a evolução cientifica hoje, sugere aos fazedores de políticas públicas, novas formas de restringir a liberdade dos infractores. A prisão domiciliária e as pulseiras electrónicas de monitoramento são provas da constante busca de alternativas a essa instituição falida.
Moçambique está a ensaiar a aprovação de um novo Código Penal que de entre várias matérias apresenta um ambicioso projecto de medidas e penas alternativas a prisão. Este ensaio, não passa de um reconhecimento tácito das premissas que acima mencionei. Gasta-se com os impostos pagos por cidadãos honestos, o equivalente a cerca de três salários mínimos para manter um único cidadão desonesto na prisão.
Enquanto isso, aqueles que trabalham duro, dia e noite, dedicando-se honestamente a produzir riqueza para o país, ganham por mês, três vezes menos que o que o Estado moçambicano gasta com cada recluso no mesmo período e mesmo assim, são esses honestos trabalhadores que devem pagar a conta daqueles.
Entretanto, mais do que reconhecer a falência do actual sistema penitenciário, ou mais do que buscar novas medidas e novas penas que possam servir de alternativas a prisão, pelo menos para alguns casos, é preocupante o crescente investimento para a construção de novas cadeias e calabouços.Algumas dessas novas construções sem o mínimo de condições para garantirem o respeito pelos Direitos Humanos.
Em Moçambique, acima de 60% dos condenados possuem idades entre 16 a 25 anos de idade. A população prisional moçambicana é maioritariamente jovem. Maioritariamente com estudos até quinta classe (5 classe), provenientes da periferia e normalmente condenados por cometerem crimes contra o património. Não precisamos ter dotes especiais para percebermos que a principal causa dessa delinquência relaciona-se com a miséria e as precárias condições de vida dos visados.
Por consequência, as prisões moçambicanas são superlotadas, albergando o triplo do que a sua capacidade poderia. É na busca de soluções para a superlotação que surge o contexto da construção de novas cadeias, o que para mim parece um desvio de causalidade ou mesmo ignorância da real causa a combater. A solução para as prisões não está na construção de novas cadeias, mas nas políticas públicas. Ou seja, em vez de alargarmos o espaço para aprisionar, vamos evitar que muitos se aprisionem.
Em Moçambique, aquela percentagem de jovens que superlotam as nossas prisões foram maioritariamente levados a delinquência pela pobreza e pelo desemprego que os aflige. É verdade que há muito pobres e desempregados que não são criminosos, todavia, a condição de desempregado e de miserável não deixa de motivar a práticas criminosas, ainda mais quando a sociedade difunde e elogia um capitalismo consumista e exibicionista, onde as pessoas valem ou são respeitadas consoante a sua capacidade de compra ou simplesmente de liquidez.
Este cenário pode ser modificado com novas políticas de emprego e distribuição de renda. Um país onde muitos são desempregados, onde mais de metade dos empregados ganha somente um salário mínimo e onde muitos são realmente pobres e miseráveis não pode evitar que os seus jovens se transformem em delinquentes. Não se pode prever o próximo comportamento de um jovem pai esfomeado ou de uma jovem mãe desempregada e com crianças doentes.
Proponho mea contribuir mais na ocupação dos jovens ou dos mais propensos a delinquência do que a construir mais cadeias para eles. Com mais escolas, mais parques de diversão, mais campos de futebol, mais promoção de emprego e actividades culturais menos delinquentes jovens teremos. Uma política para retirar das ruas as crianças que nelas vivem previne o futuro de mais delinquentes.
Acredito como solução para a delinquência na maior distribuição de renda e na massificação de maior qualidade de vida para as pessoas. Sem emprego, sem escola, sem lazer e sem segurança pública, até as penas e medidas alternativas a prisão não serão eficazes dado que a reincidência fará com que que as pessoas façam, justiça pelas suas próprias mãos.  

Terça-feira, 13 de Março de 2012

Hoje acordei pensando no DESPERTAR!

DESPERTAR, é um conceito filosófico multifacetado. Prefiro pensar que despertar é ressuscitar, na medida em que para quilo que nós desconhecemos estamos completamente mortos. Quando não sabemos estamos mortos e ressuscitamos quando nos aproximamos a verdade.
Hoje, para além de despertar do meu sono nocturno, fiquei pensando na ressurreição que precisamos para a realidade e para a verdade do contexto sócio politico em que vivemos neste país. Um país onde muitos dormem, na verdade onde muitos estão mortos e inocentemente se deixam comer pelas vermes da destruição.
A nossa consciência é muitas vezes influenciada pelo colectivo. Mas o torna uma consciência colectiva existir? Qual é o lema que rege a consciência dessa ordem nacional que nós pregamos, defendemos e abraçamos? Quase nunca chegamos na essência da resposta. Vivemos uma realidade superficial desenhada para entreter, enquanto os vermes consomem os corpos sonâmbulos da maioria.
Despertar é perceber que vermes vivem a nossa custa. É sentir a dor na pele. É sentir o correr desses vermes ao coração, ao amago da nossa essência para eternamente privar nos do existir. Despertar é parar esses vermes, expurga-los! Parar de morrer e começar a viver!
Afinal de contas, acima dessa consciência nacional que todos pensamos existir, subsiste uma outra. Subsiste uma consciência universal que forma a essência humana e nos conecta ao universo. Essa consciência, composta por todas as formas de vida é que alimenta a existência visível e a invisível através da sua eternidade. É aqui que descobrimos que somos eternos. Sim, que a humanidade é eterna, desde que ela ressuscite, ou pelo menos DESPERTE.
Pensar no conceito de vida remete-nos a realidades diferentes quando reflectimos antes e depois de despertar. Para quem continua preso na consciência colectiva inventada pelos vermes predadores a vida não passa de uma momentânea existência coroada pelo aparato dos bens luxuosos e prazeres carnais. Entretanto, aquele que desperta do sono da sua existência define a vida como a extensão da consciência universal que dura para sempre.
Definir a vida depois de despertar conecta toda a nossa finitude na magnitude do universo e mais uma vez nos transportamos a essência dos valores que tornam tudo uma unidade eterna de verdades e liberdades. Despertar é chegar a uma dimensão em que começamos a perceber o que na verdade somos como humanos e como cidadãos.
Vermes que de prémios em prémios, galas em galas, honoríficos em honoríficos passeiam suas vestes de púrpura em tapetes dourados de sangue e se apregoam os benfeitores, os salvadores, os libertadores, os pais, os heróis e os únicos clarividentes desta nação. Usaram sua astúcia através de matérias sociais psicotrópicas, adormeceram esta nação no sono existencial e acariciam os jovens no leito da sua morte.
Vermes que evidenciam a pujança da aparência, que divinizam a beleza física e corporal, destacam a posse como a única forma de realização pessoal, conduzem a nação ao abismo do consumismo e geram uma população carente, dependente, egoísta, mesquinha e selvagem.
A realização apregoada consiste em esconder as suas dores, o vazio humano e o desconhecimento do universo através da dominação do próximo. Gente que segue vermes, perdidos na imensidão da vida oprimem para sobreviver. Mentem uma certa felicidade para continuar a existir fisicamente. Verdadeira podridão escondida na mentira e a cada dia asfixiam a nação com doenças mentais.
Enquanto isso milhares de almas são sufocadas para alimentar uma dezena de egoístas. Centenas de jovens são mortos para sustentar a mentira dos vermes. Crianças e mulheres são usadas como pretexto para mais dinheiro angariar. E guerras, guerras são criadas para atormentar as pessoas. Uma ordem que parecia justa, esconde décadas de sangue inocente derramado para justificar a nação.
Despertar é colocar o dedo na ferida desta nação. Despertar é apertar o frúnculo desta geração, despertar é dizer basta e correr com a lança em direcção ao coração do verme mor. Há que libertar as mentes para salvar a nação.
Há que ressuscitar. Há que despertar para nós mesmos e percebermos que a essência humana vale mais que os simples manjares, que a vida em si, possui maior valor que todo o aparato de vestes e posses materiais. Há que despertar, ressuscitar para a vida e compreender que só somos eternos quando nos conectamos com as outras formas de vida que formam os pilares do universo.
Há que DESPERTAR companheiros!!

Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Aquilo que eu não ouvi no informe do “Estado da Nação”

Com a devida vénia publicamos o texto de Celso Celestino Manhiça, o qual serviu como mote de debate no grupo do facebook Todos por UM Moçambique (Diálogos sobre Moçambique). Refira-se que o texto foi escrito dentro de um "chapa 100", no período em que o autor regressava da única forma possível ao coração do seu bairro. 

por: Celso C. Cossa 

1. A nossa economia tem crescido bastante, embora isso não se faça sentir no bolso do cidadão comum. Embora continuemos a comer mal. Dormir mal. Com transportes públicos deficientes. Saneamento precário. Portanto, verifica-se um crescimento económico divorciado do desenvolvimento humano. Não é isso que o moçambicano quer. Nem é para isso que temos nos concentrado as nossas forças, nas diversas frentes que temos desencadeado para acabar com a pobreza absoluta. 

2. O financiamento externo tem crescido muito, o que é bom para o país, especialmente para nós que ganhamos sempre algum em cada nova empresa que é instituída. Isso ajudará muitos dos "nossos" a engrandecerem os seus impérios de negócios (esses impérios que foram construídos em nome do dinheiro do povo). 

3. O nosso país tem um potencial enorme no que diz respeito aos recursos naturais. Isso é bastante bom. Por isso não devemos parar com as exportações ilegais. Para isso temos os nossos irmãos chineses para uma ajudinha. 

4. Não podemos acabar com a criminalidade porque alguns criminosos estão entre nós. São nossos amigos. Nossos compatriotas. Nossos irmãos. Filhos. Ajudam-nos com alguns favores. Por exemplo, PARA CASOS COMO DESSES QUE FALAM MAIS DO QUE DEVIAM. Podemos precisar de uma mãozinha. 

5. Garantimos a expansão do ensino. Temos salas numerosas. Professores "Turbos". Falta de apetrechamento nas salas de aulas. Bibliotecas vazias. Campus universitários fora das faculdades. E todo o resto que todos nós já bem sabemos. No final das contas são estes alunos e estudantes que temos: alunos que mal sabem escrever os seus próprios nomes, estudantes que mal escrevem uma carta de pedido de emprego e universitários que mal sabem se expressar, mal sabem formular um discurso coerente. 

6. Há algo a ganhar com uma educação deficiente como a nossa. Somente com pessoas formatadas, pessoas que não pensam, cegas, obedientes, inertes, ignorantes é que é possível continuarmos com o nosso propósito: enriquecer, enriquecer, enriquecer. enquanto os outros, a maioria, os verdadeiros donos deste país, o POVO empobrece e empobrece e empobrece. Não podemos ser todos ricos. Que graça isso pode ter? 

7. Os nossos filhos devem continuar a estudarem no estrangeiros. Somente assim é que podemos garantir a continuidade do poder. Um dia estaremos velhos demais para continuarmos. Alguém deve nos substituir. 

8. Vamos continuar a patrocinar o entretenimento. Esta música descartável. Estes cantores medíocres. Estas festas descabidas. Estas televisões. Só assim é que podemos manter as mentes dos nossos jovens ocupadas. Para que pensem que está tudo bem, porque as suas mentes estão extasiadas. Jovem que pensa não é bom para aqueles que sabem que têm muitas falhas de governação. Temos que tomar cuidado! 

9. Enquanto os jovens se atem às diversões, ao entretenimento, a toda essa falta de ocupação e irresponsabilidades nos devemos pensar em mais um jeito de justificarmos a saída de dinheiro dos cofres do estado. 

10. Estes Azagaia, Edgar Barroso (Apóstolo da Desgraça), Iveth, C. C. Cossa, Ismael Mussa, Mia Couto (os mortos também: Pedro Langa, Siba Siba Macuacua, Carlos Cardoso.) e tantos outros são venenosos não acreditem no que eles falam, no que eles dizem. São pessoas que querem impor-se a nossa verdade, a estória e a história que temos contado. 

11. Continuaremos a calar a boca dos que falam demasiadamente. Avolumaremos as suas cotas bancárias. Iremos pôr à sua disposição cargos de chefia. Ou então o ultimo recurso: providenciar o eterno silêncio. 

12. Não podemos acabar com a corrupção. Existirá sempre uma ocasião em que precisaremos de pular a cerca. Arquitecto que desenha e pedreiro que construi uma cadeia sem que atente a possibilidade de um dia lá estar preso é totalmente desprovido do sentido visionário. Nós somos visionários! 

13. O Branqueamento de capitais, as negociatas, as falcatruas, o tráfico de drogas, e tantas outras coisas que muitos andam aí a falar que nós fazemos só nos deixam mais fortes, com os pés mais assentes na terra. Por que razão acabar com ele? Porque temos de parar com isso? Se pararemos com isso aí é que as coisas se estragam mesmo - seremos desmontados, destituídos, perdermos o trono. 

14. Temos que continuar a lutar contra a POBREZA ABSOLUTA. Mas atenção: não façam confusão. Há aqui duas "pobrezas absolutas". Enquanto para uns a "Pobreza a absoluta" é viver a baixo de um dólar por dia, sem uma habitação condigna, sem água, sem luz, sem acesso à educação, à saúde, para outros a "Pobreza absoluta" é andar em altos carros, últimos gritos (aqueles que ate os que os fabricam não conseguem ter com a facilidade com que muitos aqui no nosso país conseguem), viver em casas assustadoras, terem contas obesas. 

15. A lambibotice, o "engraxa sapato", o "falar para agradar o poder" devem continuar. Só assim os bolsos de "alguns" continuaram a engordar. Isso é uma garantia. É uma pena que existam pessoas que preferem "chutar latas" nas nossas ruas em vez desenvolverem essa capacidade de ganhar dinheiro facilmente. 

16. O acesso ao emprego, usando o critério do "apelido", as "costas quentes" deve continuar. Isso constitui o enraizamento do nosso poder sobre os demais. Não podemos nos misturar, sob pena de seremos descobertos e, assim, comprometermos os nossos propósitos para as gerações futuras. Continuarmos a governar. 

17. Não devemos admitir que um sei lá das quantas nos queira governar. Quem é ele? Combateu aonde? Quantas balas ele disparou? Mal conhece as matas deste país e agora quer nos governar. Isso não! 

18. Não tenham medo daqueles que são contrários, opositores às conquistas que até agora conseguimos. É sempre assim: "eles" sempre têm o que falar, mas depois calam-se. E continuam as suas vidas como se nada tivesse acontecido. Temos vários exemplos disso. Recuem um pouco o tempo. Há muito que podem encontrar. Muito! 

19. Como podem ver, o ESTADO DA NAÇÃO é bom. Para quem? Para nós que temos todas as plataformas montadas para perpetuarmos o nosso poder. Controlamos tudo. A educação. Os órgãos sociais. A economia. As leis. Em fim o POVO. 

20. O poder só existe quando há pessoas nas quais podemos submeter tal poder. É por isso que POVO deve continuar POVO. E nós aquilo que sempre fomos, desde que libertamos este país. 

Tudo isto e mais alguma coisa o nosso Chefe de Estado infelizmente não falou no INFORME DO ESTADO DA NAÇÃO. 

Fonte:

Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

Nova onda dos assaltos em Maputo


A Segurança Empresarial alerta que assaltos a veículos em movimento estão ocorrendo em Maputo, especificamente na região da Av. Marginal. A atenção deve ser redobrada nesta região, porém a prática pode se estender à outras localidades da cidade.
Naquele trajecto e principalmente no trecho entre o Hotel Southern Sun e o Clube Naval, os assaltantes aproveitam-se da falta de policiamento e iluminação da região para subtrair a força, bens que consideram valiosos.
A abordagem dos marginais chama atenção pela ousadia e violência, já que ultrapassam o veículo da vítima em alta velocidade e com uma manobra perigosa bloqueiam sua passagem. Imediatamente desembarcam com as armas em punho anunciando o assalto.
Para estas situações orientamos a seguir práticas preventivas de segurança, tais como:
- Dirigir com os vidros fechados, usando o sistema interno de ventilação. Use o cinto de segurança e mantenha todas as portas trancadas. Desta forma estará preparado para uma paragem inesperada, provocada por um obstáculo criado para fazê-lo parar, por arremesso de projéctil contra o veículo, ou até mesmo pelo veículo dos assaltantes;
- Evite o uso ostensivo de jóias quando estiver dirigindo e, quando o fizer, mantenha-se permanentemente em alerta;
- Não pare para auxiliar outros motoristas em locais sem movimento e ou horas avançadas. No caso de lhe parecer pessoa acidentada, avise a Polícia imediatamente;
- Se perceber que está a ser seguido por outro veículo, procure agir com naturalidade e dirija-se para as vias de grande movimento onde poderá localizar uma viatura policial e pedir ajuda;
- Caso seja abordado, mantenha a calma, avise antes de tomar qualquer acção e faça pequenos gestos próximos ao corpo se necessário. Saiba que muitas vezes os assaltantes estão sob o efeito de drogas e nestas condições não ouvem muito bem.
Lembre-se que uma forma de prudência é antecipar-se ao perigo, prevenindo-se.

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

O Palhaço Dançarino que Queria ser Herói

Era uma vez, um palhaço dançarino que vivia na Cidade Capital das Acácias. Tão dançarino ele era que não sabia dançar e, por vergonha fingia que era herói. Tantas histórias inventou até que num ramo feminino, acabou andado de carro dos deputados.
Muito contestados eram os tais carros parlamentares que comprados numa época em que se pregava a austeridade, ninguém parecia escutar. Sabia o palhaço que essa austeridade era só para o Zé-povinho que de política nada entende.
Era bocudo o tal palhaço, tão mal falava que chegava a ofender os seus próprios pais e sua mulher que aos poucos também foi perdendo os miolos. Afinal, de palhaçada não se vive.
Um dia, o palhaço dançarino percebeu que o seu futuro como dançarino andava comprometido porque não sabia dançar, decidiu então armar-se em palhaço empresário que vende direito. Tão insignificantes eram os seus rendimentos que na verdade nunca melhorou a ponto de mudar de vida.
Percebeu então, o palhaço dançarino que a sua terra natal podia ser um bom produto para vender. Mas a terra, só por mentira, no País das Acácias, pertence a todos e a ninguém pode ser vendida. Assim, decidiu colher algumas folhas de árvores secas e para si cozeu roupas parecidas às dos macacos selvagens que só pensam na comida, no sexo e no descanso. Afinal, o dançarino palhaço, era um animal selvagem.
Quando o País das Acácias abre a época das palhaçadas democráticas, o palhaço dançarino que queria ser herói vem com as suas: ou porque é mais palhaço que todos, ou porque tem sangue real, ou porque cultiva a sua comida de madrugada ou ainda porque sabe tudo e mais alguma coisa. A única coisa que parece não saber é que ele é somente um palhaço.
O palhaço dançarino que queria ser herói atinge o seu orgasmo na época das palhaçadas democráticas. Perde a cabeça, abre as pernas, rasga a boca e lambe todo o tipo de sujidade. Suas palhaçadas chegam a ser ridículas quando começa a irritar àqueles que ele queria escovar. De repente está sozinho, pescando na rocha.
Um palhaço tem aquela cara ridícula, aquela fala nojenta e aqueles olhos mal direccionados. Nada de errado. Mas tem também as calças furadas na zona traseira, deve até tomar no buraco, tem dentes sujos e bolsos vazios. Nada de errado. O errado mesmo é ele se convencer que tudo é mentira, que todos os outros são ignorantes e que ele é o máximo.
Num desses dias o Chefe do País das Acácias, o mesmo que é promotor da orgia dos palhaços e das palhaçadas democráticas prometeu-lhe um lugar lá na sede dos palhaços mor. Prometeu-lhe uma casa num parque de diversão, prometeu-lhe uma viatura que fosse executiva. Foi assim que o palhaço dançarino mudou de nome, mudou de rua, mudou de roupa, mudou de amigos e até de ideais. Mas as promessas do chefe tinham uma condição: nada de querer ser herói, não há mais lugar para heróis, ainda mais quando se é palhaço. Todos os palhaços deviam saber dançar um certo ritmo batido no norte e assim foi.
Mas como o nosso palhaço não sabia dançar, sabem o que lhe aconteceu? O óbvio: disse como fazem os macacos que o chão é que estava torto. E como era uma orgia dos palhaços todos outros sentiam o mesmo e ficaram felizes, entraram em gargalhadas, em delírio e começaram a dançar!

Continua….

Terça-feira, 23 de Agosto de 2011

Carta Aberta ao Ministro da Indústria e Comercio

Prezado Senhor Ministro,

Decidi escrever-lhe esta carta porque como jovem que o senhor é poderá facilmente perceber os desafios desta também jovem nação. Este é um país pobre, por cá, em muitos aspectos, se vive um cenário “sui generis” e parece que a cada dia, o nosso povo, se conforma em viver de esquemas e não de políticas públicas.


Eu sou daqueles que não se conforma. Prefiro políticas públicas e não esquemas. Estou saturado de ver pessoas a prosperarem graças ao abuso do poder e da legalidade. É um pouco por causa disso que escrevo-lhe esta carta.
Como o senhor deve melhor saber, neste país, os preços dos produtos de primeira necessidade são marcados a bel-prazer dos vendedores. É normal que um quilograma de açúcar esteja 20 meticais numa loja e na loja ao lado custar 50 meticais. É normal que um quilograma de farinha de trigo custe 30 meticais aqui e ali ao lado custe 60 meticais.


É normal que uma garrafa de água mineral custe 40 meticais aqui e ali ao lado custe 100 meticais. Um vende o quilograma de carne por 75 meticais e o outro vende a mesma quantidade e qualidade a 200 meticais. Em resumo, cada um marca o preço que bem entende e o senhor ministro, parece não ficar preocupado.


Já não basta que os pobres deste país paguem o IVA desses comerciantes? Já não baste que os tais comerciantes vendam produtos sem garantia? Já não baste que não tenhamos uma política de protecção ao consumidor? Já não baste que em muitas circunstâncias adquiramos produtos sem qualidade? Numa verdadeira compra de gato por lebre e o senhor ministro não se preocupe? Ainda por cima temos que sair para as compras sem saber qual o exacto preço dos produtos?


Senhor Ministro, será que é difícil marcar um preço máximo para os produtos básicos? Podia por exemplo determinar que, o preço máximo de um quilograma de arroz é 20 meticais. É portanto, permitido vender a baixo disso, mas nunca acima, sob pena de responsabilização. Podia determinar, por exemplo que um quilograma de açúcar deve custar no máximo 15 meticais, sendo que qualquer comerciante que aplique preços acima desse passa a incorrer em responsabilidades. Note que, os preços aqui mencionados são somente a título indicativo, creio que o senhor conhece os reais preços dos produtos que exemplifico.


Esse seria um ganho durante o seu mandato. Quando o senhor não mais for ministro desse pelouro nós nos lembraremos com muita alegria e orgulho. Terás ganho algo para o nosso povo e não serás que nem aqueles ministros que entram, ficam no poder 2, 3, 4 ou mesmo 5, 6, 7 anos e quando saem não mais nos lembramos deles senão na negativa.


Caso de Pacheco que no Interior só atrapalhou e a única coisa de que nos lembramos é ele a subir a PGR com um relatório de auditoria na mão. É caso de Soares Nhaca que de Agricultura nada entendia e só nos lembramos dele por causa da sua forma mágica de vestir: durante todo o seu mandato, nunca conseguiu combinar a roupa, os sapatos e a gravata.


É caso de Munguambe que dos Transportes nada deixou senão processos crimes. É o caso de Tobias Dai que embora com sangue real, na Defesa deixou-nos lembranças amargas: um país em chamas e vítimas nunca ressarcidas. É o caso de Luciano de Castro que no Ambiente passou como se fosse um fantasma, não foi visto e a ninguém viu.


É também o caso de Alcinda Abreu que nos ensinou uma diplomacia nublada. Só ela percebeu qual foi a política externa deste país. É o caso de Ivo Garrido que pareceu uma ejaculação precoce, tanto prometeu que quando começou a operar parou sem atingir o ponto G.


Podia mencionar tantos outros, desde ministros, vice-ministros, directores nacionais e governadores que passaram pelo poder e nunca criaram mudanças, nem contribuíram para a melhoria de vida dos cidadãos, mais se aproveitaram do cargo do que fizeram os moçambicanos ganharem.


Rogo que esse não seja o seu destino. O senhor é jovem, não é fantasma, sabe vestir-se, sabe comunicar-se e parece que não corre os mesmos riscos de deixar o país em chamas ou não encontrar o seu ponto G. Se não poder influenciar positivamente no comércio, onde acho que não vale a pena obrigar as pessoas a consumirem o produto nacional quando não há politicas públicas que assim incentivem, então vire-se mais para as indústrias.


Este país quando industrializado pode ser bastante rico. A nossa agricultura não anda porque é praticada de forma rudimentar. Mas se começar a pensar em políticas para potenciar os agricultores com máquinas não pesadas, como aqueles tractores de mão, que podem ser importados da índia, da China e do Brasil sem encargos e oferecidos, emprestados ou vendidos a baixo custo para os agricultores ou associações de agricultores, vai ver que vamos ganhar bastante.


Quando descobrires que Moçambique produz bastante fruta como a manga, a laranja e o ananás. Quando descobrires que Moçambique produz bastante mel, bastante mandioca e bastante banana e pensares que podes investir em algumas pequenas máquinas de processamento para produção de sumos, doces, farinha medicamentos e outros géneros, poderás com certeza contar com países irmãos como a África do Sul, como o Zimbabwe e até aqueles que acima mencionei caso de Brasil e verás que terás contribuído verdadeiramente para combater a pobreza através da produção de riqueza.


Combater a pobreza não passa pelo discurso. É falso que a pobreza está na nossa cabeça como também é falso pensar que basta que um produto tenha o selo Moçambicano para que seja consumido por nós.


Senhor Ministro, espero que tenha sido bastante claro para deixar aqui os recados que achamos poder ajudar o país através da vossa intervenção.


Estamos aqui para ajudar onde podemos e lembre-se: quando não mais for ministro poderá arrepender-se de não ter contribuído para mudanças positivas no pelouro, afinal V.excia também terá de comprar dos comerciantes e nós, nós lembraremos de si como aquele jovem que chegou esperto e saiu assustado.

Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011

Big M: a Luz Que te Fará Ver o Caminho

18-08-2011
Hoje, parece que todos nós conhecemos o caminho do destino que pretendemos. Parece que podemos ver o futuro e o passado. Parece que podemos ler os sinais e modificar as regras naturais. Mas há áreas no universo que não dependem do quanto nós podemos fazer. Elas dependem mais do quanto nós podemos ter a luz que nos faz ver e distinguir os caminhos.

Eu, continuo buscando o caminho que me guiará ao destino da existência que me faz merecer esta misteriosa vida. Conto para tal com a luz incorruptível que me guia desde o meu primeiro dia. Esta é a luz que me guia, que guia a minha existência e a existência da minha essência.


Esta, é a luz que almejo um dia guiar o ser que se chama Murenga, o Big M. Murenga nasceu um homem. Nasceu um guerreiro. Nasceu lutando pela sua vida e pela sua existência. Murenga tem um nome que lhe caracteriza, embora lhe tenha sido dado antes mesmo de nascer. Queria eu que ele fosse simplesmente um revolucionário. Alguém que quebrasse os paradigmas e desafiasse o ordinário e o comum. Mas ele foi para além daquilo que a minha mente podia alcançar. Mostrou-me uma outra forma de vida, de pensar e de acreditar.


Nascido fora do tempo, desafiado pelo peso incomum, experimentou a não circulação sanguínea e todos dias pagou alto para comer, para dormir e para respirar. Era um menino que não garantia vida. Um menino que não chorava e não dizia porque! Tão inocente que não percebia o mundo e olhava para todos como quem não se importa de viver ou morrer. Os pais não podiam somente dormir. Ele não podia connosco trocar frases comuns, emitia sinais confusos, sinais que não nos diziam sim ou não. Mas eram sinais de vida.


Foi então que a ciência nos desafiou a capacidade e percebi que no mundo não se sobrevive sem o dinheiro. Percebi também que não se sobrevive sem as pessoas de boa vontade, aquelas que quebram as regras para salvar vidas ou fogem do formal para dignificar a existência. E como pássaros voamos para nenhum lugar a busca do melhor e do nada. A busca de um caminho, de um destino, de uma palavra e de um sorriso.


Hoje, faz um ano este menino. Hoje, diz alguma coisa este menino, hoje vejo neste menino um pedaço da luz que nos fez acreditar na luta e na vitória. Hoje vejo a certeza de um amanhã diferente construído por mãos de boa vontade.


Murenga quer dizer revolucionário. Murenga é um espírito rebelde, inconformado e lutador. Este menino não se conforma com a fraqueza. Ele se revolta contra toda a forma negativa de viver, lutará sim por um amanha ainda melhor e duradouro. Este menino continuará a revolução que paira nos nossos sonhos. É um menino que vive para sempre!


Devo dizer-te Murenga, que a luz que te faz ver o caminho, ela arde dentro de ti e queima. Ela aquece a todos nós que contigo respiramos o ar da imortalidade. Esta luz jamais se apagará. Nunca se apagou. Jamais se apagará porque nós acreditamos e porque as pessoas de boa vontade sempre existirão. Esta luz vive da fé e da boa vontade. E tu precisas desta luz, porque sem ela a existência não tem valor nenhum.


Feliz Aniversário Big M!
Teu pai..